
Com o lema "Quanto vale o verde do Verde Vale?", a Prefeitura do Crato deu início nesta segunda-feira, 23, à Semana da Água e da Árvore 2026. O evento, que reúne especialistas, gestores públicos e a comunidade escolar, busca pautar estratégias de combate à crise climática a partir da valorização da Caatinga, bioma exclusivo do Brasil e protagonista da biodiversidade regional.
A programação teve início nas primeiras horas do dia com uma imersão na natureza. Na unidade de conservação do Sítio Fundão, estudantes de escolas municipais e representantes de órgãos parceiros participaram de uma trilha educativa. O momento foi enriquecido por uma roda de conversa ao ar livre e pela apresentação da Banda de Música Municipal, reforçando o elo entre cultura, educação e meio ambiente. Durante a programação foi realizada dinâmica educativa na Escola José Bizerra de Brito, no distrito de Ponta da Serra.
Abertura Oficial: Vozes pela Conservação
À tarde, o Seminário "Estratégias da Caatinga para Resiliência Climática" lotou o auditório do CEJA. A abertura contou com falas marcantes sobre a urgência da pauta ambiental. O secretário de Meio Ambiente e Mudança do Clima, George Borges, destacou o papel da conscientização para garantir o futuro das próximas gerações diante das problemáticas climáticas globais.
A assessora Especial de Gabinete, Cleia Feitosa, representando a gestão municipal, trouxe uma reflexão sensível sobre as mudanças locais, citando o desaparecimento de espécies como os vagalumes na Chapada do Araripe como um alerta da natureza. Na ocasião, ela representou o prefeito municipal, André Barreto.
O técnico da Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado, Alexandre Sinésio, ressaltou a riqueza da biodiversidade em Crato e a importância da educação ambiental como ferramenta de transformação. Um vídeo produzido por estagiários sobre a percepção climática abriu as atividades, trazendo o olhar da juventude sobre o tema.
Ciência e Debate: O Potencial da Caatinga
A palestra magna foi ministrada pelo Prof. Dr. Edmar Pinheiro, do Departamento de Geociências da URCA. Ele detalhou a heterogeneidade do solo e o regime de chuvas da região, provando que a Caatinga, apesar de frequentemente agredida, possui um potencial técnico e biológico fundamental para mitigar os efeitos do aquecimento global.
O evento seguiu com uma Mesa Redonda composta por especialistas como Biruta da Terra (Herborista), Paulo Ernesto (Turismo Sustentável) e técnicos do ICMBio Araripe (Kelvin Rocha e Francielson Barbosa), que debateram desde o extrativismo da flora até a governança climática para populações tradicionais da Floresta Nacional do Araripe.
Parcerias Estratégicas
O sucesso do evento é fruto de uma rede colaborativa que inclui:
Prefeitura do Crato e SAAEC;
Governo do Estado do Ceará (SEMA e AJA);
URCA, ICMBio e CEPAN;
SESC, Senac e instituições locais como o Liceu Diocesano de Artes e Ofícios.