Em Crato, caminhada marca o Dia Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil

  • 13/06/2018

O mundo inteiro, ontem, se mobilizou em torno do combate ao trabalho infantil, com o tema “Não proteger a infância é condenar o futuro”. O dia 12 de junho, instituído por iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT/ONU), em 2002, marca a mobilização para alertar a comunidade e as instituições sobre a realidade do trabalho infantil, uma prática que se mantém corriqueira em diversas regiões do Brasil e do mundo.

Em Crato, o dia iniciou com uma caminhada onde reuniu centenas de crianças e adolescentes, saindo do largo da RFFSA e seguindo pelas principais ruas da cidade, chegando à Praça da Sé, onde, na oportunidade, as crianças fizeram diversas apresentações culturais sobre o tema.

No município, atualmente, são acompanhadas pelo Sistema de Garantia de Direitos, 38 crianças e adolescentes vítimas do trabalho infantil. Segundo a psicóloga Karla Danyelle Queiroz, coordenadora das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI), “a campanha visa principalmente conscientizar a população a denunciar os casos de trabalho infantil e, assim, o sistema ser notificado para agir”, disse.

Para isso, o AEPETI realiza semanalmente, ações de divulgação, sempre em parceria com os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS), Conselho Tutelar, Ministério Público do Trabalho, escolas, dentre outros agentes. “Existem muitos mais casos, mas por falta de informação, muitas vezes, as pessoas se calam, continuam praticando”, afirma.

As modalidades de trabalho infantil que mais preocupam a gestão municipal é o doméstico, rural/agricultura e também tráfico de drogas. “O trabalho infantil doméstico e na agricultura são naturalizados na sociedade. Aceitável por todos. E por isso eles acontecem de forma silenciosa. Já no tráfico, as crianças são aliciadas. O perigo é maior ainda”, comenta.

Para Ricardo de Sousa, Coordenador da Proteção de Média e Alta Complexidade, da Secretaria Municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social (SMTDS), as ações do município são intensificadas nos períodos de festa, bem como na Expocrato, que “além de envolver crianças e adolescentes daqui, ainda vem dos municípios vizinhos”. É realizado todo o monitoramento e fiscalização para inibir a prática, inclusive com os órgãos da justiça.

Para quem acha que o trabalho infantil é melhor ocupação do que a criança estar nas drogas, Ricardo alerta que “o trabalho infantil é bastante nocivo a várias áreas da criança e do adolescente. Compromete o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional e humano da criança”, e defende: “lugar de criança é na escola, crescendo e se desenvolvendo de forma saudável”.

A representante da gestora da SMTDS, Edivania Gonçalves, Fabiane de Sousa, na oportunidade agradeceu a presença de todos e falou da importância da caminhada. “Convidamos os representantes da sociedade civil para lutar contra o trabalho infantil. O lema deste ano é enfático: não proteger a infância é condenar o futuro. E nós devemos hoje e sempre defender, proteger, cuidar e promover os direitos das crianças e dos adolescentes”, ressaltou

Caminhada

Articulada pela SMTDS, a caminhada pela Erradicação do Trabalho Infantil reuniu os alunos das escolas municipais São Francisco, Frederico Nierhoff, Melvin Jones, Liceu Diocesano, Luiz Gonzaga Mota e Filemon Teles; usuários do CRAS Muriti, Vila Alta e Alto da Penha; alunos da APAE, Projeto Menino Jesus, Projeto Nova Vida, Projeto Verde Vida e SOAFANC. Teve ainda o apoio da Guarda Municipal e Demutran.

Compartilhar:

Fotos