No Dia Nacional dos Surdos, seminário abre comemorações municipais da luta da comunidade surda

  • 27/09/2018

Mãos que falam, que educam, que incluem e geram oportunidades para pessoas surdas. Esse é o mote principal da programação realizada pela Prefeitura do Crato, através da Secretaria Municipal de Educação (SME), a Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Regional do Cariri (URCA), através do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Regional do Cariri (NUARC) e da Associação Cratense de Defesa da Pessoa Surda.

A agenda faz parte do movimento Setembro Azul, mês que marca a luta e as conquistas da pessoa surda. A abertura aconteceu nesta quarta-feira (26), na Escola Profissionalizante Violeta Arraes, com o Seminário “Com a Língua de Sinais todos estão incluídos”, que abordou a inclusão educacional dos surdos, bem como sua história de luta.

A presidente da associação e instrutora de Libras da SME, Sônia Sales, entende desta luta e da importância da Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) para inclusão desse público. No Cariri, conforme o último censo, foram identificados cerca de 12 mil surdos na região, um público bastante expressivo e, conforme ela disse, “ainda há muitas barreiras para que os surdos sejam inseridos na sociedade”.

Sônia nasceu ouvinte e, com pouco mais de um ano de idade, perdeu a audição após uma forte febre. Ela teve que enfrentar muitos desafios para, hoje, ser representante desta comunidade. Ela concluiu o ensino médio com 25 anos e essa é a sua preocupação. “A minha luta hoje é para que os surdos não sofram o que sofri na infância. Espero que os surdos possam ter acesso à educação e concluir seus estudos no tempo certo, ao contrário de mim. Hoje eles têm direitos garantidos”, afirmou.

Para Cirene Brasil, Secretária Adjunta da Educação, um dos principais motivadores da programação é dar visibilidade aos surdos e toda à sua luta. Conforme ela afirmou, o município tem sua política de inclusão, onde todas as escolas da rede municipal podem atender as pessoas com deficiência. “Queremos chamar a atenção da comunidade, seja escolar ou geral, a presença das pessoas surdas no meio social. Não basta a gente dizer que os surdos estão inseridos na escola e nos outros meios eles não estarem. Eles irem à um comércio, por exemplo, e não ter alguém que entenda o que ele quer”.

A SME tem mostrado uma preocupação muito grande com o desenvolvimento dos surdos e para isso tem fechado parcerias como esta. Além do seminário, de acordo com Cirene, no sábado (29), “a caminhada é direcionada a toda sociedade para mostrar que o Crato tem muitos surdos e que eles estão aqui e que temos que tratá-los com os mesmos direitos de outros. Ser surdo é ser diferente, mas com os mesmos direitos que qualquer outro cidadão”, ressaltou.

Compartilhar:

Fotos